sábado, 8 de março de 2014

Luisa Borges Pontes



À Cora, tão cheia de ci

(à avó que é minha, dona Coraci)


No cerrado aclamado por Cora Coralina
Outra Cora se destoa em pleno planalto
Tão logo doura de cores a impávida sina
Cora de dores o coração deveras incauto

Em sua face, fendas rasgadas pelo tempo
Conservam histórias, guardam segredos
Da mulher que ri por vãos contratempos
E que chora sem se render a seus medos

O olhar fatigado ludibria todo divagante
Que quiçá cogite ser senhora tal menina
Cujos sonhos são como bússolas errantes
Que conduzem a moça por doces marinas

Se Cora poeta lhe dedicasse uns versos
Soariam como ode à mulher homônima
Que vaga livre por seu distinto universo
Mas nas multidões se mantém anônima


(do livro “Rio inVersos”, organizador: Delmo Fonseca, Confraria de Autores)



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